9 de dez de 2016

Conto - A vida é bela, acredite

Na última quarta-feira antes do Natal, véspera do dia 24 de Dezembro, fui tirar um cochilo no sofá depois de um farto almoço em família, ao som agradável de gotas de chuva fraca que batiam levemente no vidro da janela e coberta por um lençol macio dos pés a barriga. Ainda dava pra sentir o cheiro do pudim de leite pela casa toda. Foi um final de ano atarefado, um a correria para terminar o ano letivo na escola, entrega de trabalhos finais, festinhas de confraternização e já pensando como seria a vida no próximo ano que iria começar. Ou seja, qualquer mínimo tempo para descansar o corpo desanimado e tirar uns minutos de preguiça era valioso. Eu estava meio isolada de todos, pois estava sem muitas esperanças nas pessoas, conseguia animar a todos, menos a mim mesma.  Coloquei o despertador do celular para tocar em uma hora. Mas ele acabou despertando tão rápido que nem parecia que tinha dormido. Sonolenta, desliguei o barulho do celular, me espreguicei e sentei olhando fixamente para o chão. Logo em seguida, o interfone de casa tocou. Toda vez que atendia alguma visita, aparecia uma imagem ao vivo da calçada da rua pelo visor de segurança filmado por uma câmera externa escondida no muro. As mulheres e primas novas da família tinham saído para passear numa feira de orquídeas da cidade e uns homens tinham ido ao vizinho tomar um café assistindo o jornal de esportes, outros voltaram ao trabalho por ainda ser meio de semana.
-“Pois não?” Eu disse.
Não tinha ninguém pelo visor da câmera e muito menos responderam meu atender. Até que de repente um aviãozinho de papel entrou pela janela aberta da copa onde ficava o interfone, vindo pelo céu e não pela casa vizinha, pousando próximo ao pé do banquinho do balcão. Coloquei o telefone do interfone no gancho novamente e desconfiada peguei o papel do chão e abri com curiosidade. Estava escrito em letras maiúsculas: “A VIDA É BELA, ACREDITE”. Comecei a raciocinar quem e de onde tinha vindo aquele recado. Achando estranho, tomei coragem, peguei a chave do portão e tentando fazer pouco barulho, abri rápido e coloquei a cabeça para fora de casa. E sentada na calçada estava um antiga amiga que não a via há uns quatro anos. Ela passou por dificuldades familiares e saiu de casa no impulso depois de discutir com os pais sobre começar a trabalhar para ajudá-los, a partir disso ela ficou incomunicável, não soube nem para onde tinha ido. Lembro que sua família não a admitia por ser uma moça que queria trabalhar, achavam que teria que aprender a fazer bolos caseiros para os irmãos venderem. Além disso, a mãe bebia muito e o pai sofria de depressão por estar desempregado por não conseguir economizar gastando com jogo do bicho. Ao sentar ao lado dela na dúvida de saber se ela estava bem, muda sem conseguir pronunciar nenhum som, ela virou a cabeça para me olhar. Estava com um sorriso lindo que nunca a tinha visto tão bonita. Abraçamo-nos ao mesmo tempo rindo sem trocar uma palavra, felizes por nos rever já que nunca mais tínhamos nos visto desde que tinha lhe emprestado dinheiro para ajudar a continuar seu caminho, seja qual fosse sempre dizendo a ela em ter fé em Jesus Cristo. Até que ela me soltou, e na permanência do silencio ela me entregou uma caixa de presente de natal, continuando a sorrir e a me olhar.
 -“Eu acreditei, mesmo com tudo, que existia um lado bom e que a vida era realmente linda de se viver.” Emocionada e sorridente, observou me abrindo o presente, com gestos para abrir tampa da caixa.

-“Uau!!!” Falei com voz mais alta e alegre pelo que tinha dentro do pacote.
 Era uma passagem de ida e volta para Ilha Grande-RJ, para acompanhá-la na virada do ano, com um papel escrito: “Jesus é lembrado por todos mais em época de Natal, mas Ele se lembra de nós todos os dias e me fez lembrar-se de você, querida amiga. Que Deus possa renovar suas esperanças assim como renovou a minha quando achei que era impossível continuar. Muito obrigada. Eu amo você. Topa viajarmos juntas?”
-“E aí, o que me diz? Só me responda se sim ou se sim. Hahaha!” Debochando e brincando, ela me deu um soco leve no ombro.
- “Você tem certeza? Não vai te prejudicar esse gasto desse presente?” Perguntei.
-“Meus pais mudaram de cidade e estão morando numa fazenda. Fizemos as pazes a poucos dias. Quando os reencontrei todos tinham aceitado Jesus, mudando toda a relação da família de forma surreal, pararam de reclamar e começaram a aceitar com respeito uns aos outros. Eles foram viajar para o nordeste visitar uns amigos que estavam precisando de apoio. Estou de férias agora. Você esta falando com a mais nova gerente da empresa internacional de telemarketing do Brasil. Guardei dinheiro para realizar essa surpresa, não me fará falta, ao contrário.”  Disse ela.
- “Meu Deus, cara! Parabéns! Nossa, não sei o que dizer. Fico muito feliz pela sua vitória, e te ver assim me deu um gás que eu precisava. Bom, passe o Natal conosco, não quero que passe sozinha. Daí então eu topo ir com você. O que me diz?” Questionei.
-“Poxa, não me lembro como é passar uma ceia com pessoas queridas. Combinado, eu aceito.” Respondeu ela, agradecida.
Assim, ela entrou para comer um pedaço do pudim de leite do almoço e me fez companhia todos os dias até o dia da viagem de ano novo, alegrando todos da minha família com sua visita. Foi um Natal incrível e de muita união, capaz de renovar todos os ânimos e agradecer imensamente a Deus por todos àqueles que passam em nossas vidas. Ilha Grande é um paraíso de lugar tropical. Foi o presente mais bacana que alguém tinha me dado, até por que veio de uma pessoa especial. Ter a companhia de uma velha amiga como uma nova pessoa foi a maior benção para fechar o ano melhor do que eu esperava, da melhor forma possível. Na vida realmente não precisamos colecionar coisas e sim de bons momentos.


Autor: Ariane Araujo Liberati

“Amigo Havaiana”

Qual foi o momento mais marcante que você vivenciou no natal ?
 
O momento mais marcante que vivenciei no natal foi o primeiro amigo secreto da Família Camargo, foi um “Amigo Havaiana”.
Foi o nosso primeiro Natal juntos, tipo sem faltar nenhum membro, todos os Camargo’s estavam presentes, e como era o nosso primeiro natal eu pensei “a gente vai comer, olhar um pra cara do outro, esperar dar meia-noite e então dizer a famosa frase -Feliz Natal- só isso?”, foi ai que eu tive a ideia do amigo secreto, para trocamos à meia-noite.
Como não sabíamos o que comprar, se dava uma camiseta ou um short decidimos por ser tudo “chinela havaiana”. Sendo assim “Amigo Havaiana”. Com isso, entramos no nosso grupo da família no “Whatsapp” e colocamos que tipo de havaianas queríamos e a numeração. Depois disso nos juntamos e sorteamos nossos nomes.

Na hora da troca, cada um tinha que comentar sobre seu amigo, qualidades ou defeitos, uns adivinhavam, outros erravam feio, mas com isso nos dando uma noite agradável, feliz e abençoada.

Autor: Maiara Camargo